Jakeliny Mendonça

Lembro-me como se fosse hoje, eu e meu irmão brincando de imitar os locutores de rádio da nossa região, ele com sete e eu com quatro anos de idade, meu ‘mano’ cortava as embalagens de shampoo pelo meio e isso se tornava o nosso microfone.

Em uma dessas brincadeiras, ele colocou o rádio com pilhas na tomada, levou um choque, perdeu a fala por alguns instantes, quase morreu... Isso é nostálgico pra mim!

Tempos depois nascia minha irmã caçula, outra pessoa que sempre me incentivou, desde pequenininha. Quando eu já estava com doze, minha maninha ainda tinha seis aninhos de idade e, durante boa parte da nossa infância, nossa brincadeira predileta era fazer nossos próprios programas de rádio, dentro do nosso quarto ou debaixo de um pé de caju.

Passávamos horas e horas e até mesmo o dia todo: Abrindo e fechando programas, fazendo comerciais, noticiando, anunciando e reanunciando músicas. Gravávamos tudo isso em fitas K7’s através de um velho rádio estilo “dois em um”. Ás vezes, discutíamos na hora de decidir quem seria a locutora e quem seria a entrevistada. Quantas saudades!

Em um desses dias, com uma caixa de sapatos encapada com um papel preto, fiz uma câmera filmadora, com o corpo de uma lanterna velha e uma bola de jogar queimada encapada com um tecido também preto, fiz um microfone. Então, minha irmã se tornou minha cinegrafista e fomos entrevistar os vizinhos... Mas, não se assuste com a nossa imaginação, entrevistávamos até os pés de mandioca, pés de milho, os cachorros e os gatos da nossa rua...

Isso hoje parece loucura e é bastante cômico, mas naquela época era um lindo sonho infantil, onde eu chorava ás escondidas por acreditar que estudar jornalismo seria algo impossível à minha realidade..

Fui zombada por muitos colegas na escola (inclusive parentes), me chamavam de doida, por sonhar tão alto. Alguns até concordavam que eu poderia trabalhar com jornal, mas como jornaleira - como se essa profissão também não fosse digna.

O começo de tudo

Aos 16 anos de idade, participei às escondidas dos meus pais e irmãos, de um concurso chamado “Vale Talentos”, na Rádio Vale FM de Rubiataba – pertencente à rede Católica de Rádio - o qual buscava os cinco melhores locutores no meio dos ouvintes.

A disputa foi de ‘gente grande’. Muitos profissionais da área que estavam fora do mercado, participaram e - como não tinha ninguém em casa na expectativa - fiz todas as provas e acabei indo para a final. Na classificação oficial, fiquei em primeiro lugar. No dia 20 de julho de 2003, a ‘doida’ sonhadora, estreava como locutora, em um horário nobre nesta mesma rádio. Eu estava maravilhada com aquela realização pessoal, era tudo lindo e perfeito, era mais do que havia sonhado desde os tempos da minha infância.

Meu irmão seguiu a carreira bancária, minha irmã, a enfermagem, eu por minha vez, insisti na comunicação. Trabalhei quase quatro anos naquela emissora, a deixei para vir morar em Goiânia, com o intuito de estudar jornalismo, pois esse era o grande sonho da minha vida.

Três meses depois da mudança, passei no vestibular de jornalismo na antiga UCG (Universidade Católica de Goiás), minha mãe - que até então não acreditava muito nesse louco sonho utópico – ficou muito orgulhosa ao ponto de colocar uma faixa na porta de casa, me parabenizando pela conquista.

Eu mal podia acreditar que estava estudando jornalismo. Todas as vezes que eu via o escudo desta instituição de ensino, disfarçava as lágrimas, pois era difícil acreditar que aquele sonho de criança começava a se realizar.

Para me manter na capital, fui doméstica, “Posso Ajudar”? em agência bancária e recepcionista em algumas empresas.

Durante a academia eu passei por inúmeras dificuldades e necessidades, inclusive, tive que deixar a faculdade por um ano. Mas, nada do que eu tenha passado foi pior e mais trágico que perder a minha mãe para uma insuficiência renal crônica. Confesso que parte da minha vida e do meu sonho foi com ela. Alguns dias antes do seu falecimento, minha mãe me disse; “Volta para faculdade, pois eu quero te ver formada, você me convenceu, pois este também é o meu sonho”. Mesmo com muitas privações eu voltei para a faculdade e, jurei que só sairia de lá, formada!

Apenas nos três primeiros anos de faculdade, eu morei com 17 pessoas, todas do sexo feminino, sendo que oito delas foi de uma só vez. Foi bom fazer amizades com pessoas com a cultura tão diferente da minha, cresci muito como pessoa. Sinto saudades de algumas e prefiro à distância de outras. Sempre ouvia de algumas delas que eu era louca, por fazer tantos sacrifícios por um curso que não precisa sequer de diploma para trabalhar.

Enquanto elas saíam todas as noites, compravam coisas que nunca iriam usar, eu nada disso fazia. Pelo contrário, deixava de sair, de comprar uma roupa ou um sapato, para poder pagar a absurda mensalidade da faculdade. Aguentava humilhações e acusações calada, pois sabia que precisava passar por aquilo, para viver uma realidade melhor, quando a tristeza aparecia, eu logo tratava de me alegrar e acreditar que “um dia me tornaria uma jornalista profissional!”.

Conversão ao Evangelho

Foi nesse período que me converti ao Evangelho, inclusive uma dessas meninas me disse, “Não converta, você vai acabar com a sua vida”! Ainda bem que tenho o ouvido seletivo.

Dentro desse período de academia, fiz estágios na TV Record Goiás, Rádio Paz FM, Rádio Universitária da UFG e algumas participações na UCG TV, apresentando programas e fazendo reportagens.

Deus se fez presente em todos os momentos difíceis da minha vida, principalmente, através de anjos em forma de pessoas, que me ajudaram de uma forma ímpar e que nunca serão esquecidas por mim. Apareceram para cumprir o que a Bíblia diz: "Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces com teus pés em pedras.”.

E quem diria? Aquele tão sonhado dia chegou! Foi dia 17 de agosto de 2011, o dia que Deus marcou no calendário dEle, para ser o grande dia da minha vitória. Formei-me pela PUC Goiás, em uma linda cerimônia, toda presenteada por pessoas que me viram sonhar de perto ou não.

Dias depois de formada, um amigo até então virtual (que eu nunca tinha visto pessoalmente), chamado Hudson Cândido, marketing da Rádio Vinha FM me contatou através do Twitter e me indicou na emissora na qual fazia parte. No dia 18 de outubro de 2011, fui contratada pela Rádio Vinha FM, como jornalista para produzir os Programas Mesa dos Notáveis e o Batom e Bate Papo. Quatro meses depois fui cobrir férias do apresentador do Jornal Realidade e acabei ficando em definitivo. Devido outra proposta de trabalho, fiquei na emissora apenas um ano e meio, nesse período tive a oportunidade de entrevistar grandes personalidades da música gospel nacional e internacional, além de grandes personalidades públicas, também apresentei inúmeros eventos, para milhares de pessoas. Saí dessa emissora em Janeiro de 2013, para uma curta experiência em assessoria de imprensa em um escritório de música gospel, onde tive a oportunidade de conhecer vários Estados do Brasil, fazer grandes viagens de avião ou não, conhecer praias, pessoas, estar em eventos e congressos importantes do mundo gospel. Sai dessa empresa em junho e em julho iniciei MBA em Executiva em Mídias Sociais, em um grande Instituto de Pós Graduação em Goiás.

Rádio Paz FM

No dia primeiro de agosto de 2013, fui contrata como jornalista pela Rádio Paz FM, emissora que outrora havia feito um dos meus estágios, a qual sonhava intensamente em fazer parte da equipe. Posso dizer que vale a pena sonhar em Cristo! Eu sofri, chorei, passei muitas necessidades, mas Deus nunca me abandonou, hoje sou mais que vencedora, pois Deus transformou uma ilusão de criança em uma perfeita realidade. Hoje posso dizer: Sou jornalista profissional, realizada e muito feliz!

 

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