01/07/2014 12:06
Filhos: excesso de negligência ou proteção?

Educar filhos é uma tarefa desafiadora que, hoje em dia, vai muito além de, simplesmente, apontar-lhes o bem e o mal. Significa protegê-los e, ao mesmo tempo, prepará-los para a vida; para enfrentarem as frustrações que, inevitavelmente, ocorrerão; para conviverem com uma sociedade cada vez mais consumista, sem, porém, ter apego ao dinheiro. Significa torná-los independentes; ensiná-los a se defenderem das volúpias oferecidas pelo mundo, como o vício do álcool e das drogas; e a se apartarem da violência.

Vê-se, pois, que educar filhos envolve várias nuances e que o nosso sucesso, como pais, depende muito de nossas atitudes que, por sua vez, devem ser empregadas na medida certa. Embora não exista uma receita, o fato é que o fermento leveda toda a massa.

Existe um fermento chamado negligência, que prejudica os filhos. A negligência, ou a omissão dos pais na criação dos filhos, pode gerar consequências nefastas, como baixa autoestima, carência de atenção e carinho, e pode, até mesmo, dependendo do tipo de omissão, comprometer o desenvolvimento físico ou emocional.


Por outro lado, o excesso de proteção pode ser um fermento a levedar todo o nosso anseio de educar nossos filhos. É também prejudicial e pode, inclusive, afetar a formação emocional deles.

É comum ouvirmos comentários de pais, que preocupados, criam os filhos como se os colocassem dentro de uma bolha. Pensam que, dessa forma, estarão protegidos das intempéries da vida. Mas, especialistas no assunto salientam que o resultado dessa superproteção tem sido uma geração despreparada e insegura.


O educador João Luís de Almeida Machado aponta os malefícios que a superproteção pode trazer para a criança e para o futuro adulto que se tornará. Ele menciona a perda de autonomia; o medo de enfrentar situações diferenciadas daquelas do cotidiano, ainda que sejam corriqueiras; a dificuldade de se relacionar com outras pessoas, especialmente, estranhos, em situações cotidianas, como ir ao banco, comércio, ou serviços; falta de iniciativa; reclusão; distanciamento da realidade; isolamento em mundos alternativos, como o virtual, em computadores e videogames.

Esse educador também comenta as atitudes da criança, dentro de casa e na escola, sintomáticas de que ela está sofrendo os males da superproteção. Essas atitudes não precisam acontecer ao mesmo tempo, exigindo-se, apenas, que algumas delas ocorram em conjunto. Por exemplo, comportamento arredio; uso excessivo e sem controle dos pais de computadores e videogames; indisposição para sair de casa; pouca ou nenhuma atividade externa, como prática de esportes e jogos com amigos, o que reduz o grupo de interação social; dificuldade para se comunicar e expressar sentimentos para os pais.

Comportamento dos Pais
Por sua vez, alguns comportamentos, por parte dos pais, caso ocorram, devem ser avaliados de modo a se detectar se a maléfica superproteção está em cena. Por exemplo, o medo dominador de que os filhos se machuquem, brincando; medo constante de que algo ruim aconteça com os filhos; realizar as atividades que são de responsabilidade dos filhos, como tarefas, escovar dentes, quando a criança já possui maturidade suficiente para fazê-lo sozinha, cortar seu bife, colocar comida na boca, dar banho, trocar a roupa, amarrar os cadarços, etc; falar de modo infantil com o filho; proibição de passeios escolares, já que não poderão estar presentes.

O cenário, pois, é o do excesso, tanto de negligência, quanto de proteção. Uns protegem demais; outros, menos. É o fermento, que não pode ser usado nessa receita.


Vejamos outros comportamentos que denotam a superproteção: existem pais que não permitem que os filhos participem de nada, nem mesmo de festividades da igreja. Não permitem que se envolvam com outras crianças, adolescentes, ou jovens, julgando que podem receber alguma influência negativa. Surge outro questionamento: Por quanto tempo os pais conseguem manter os filhos numa bolha?

Por outro lado, existem mães do tipo “barraqueiras”, que tomam as dores de seus filhos e acabam discutindo com outras mães por questões simples, como briga de crianças. Qualquer coisa que aconteça na escola, gostam de tirar satisfação com professores. Muitas vezes, não permitem que seus filhos brinquem com outras crianças. A superproteção é tamanha que alguns pais controlam os filhos até depois que completam a maioridade e conseguem obter a tão sonhada carteira de motorista, não os deixando dirigir sozinhos. Exagero evidente negar-lhes essa liberdade.

Complexo, não? Mas, nós, pais cristãos, sabemos como encontrar a medida certa: é buscar a sabedoria, encontrada somente em Deus. A palavra de Deus diz que se algum de nós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida (Tiago 1:5). O segredo, pois, é orar e procurar inculcar a palavra de Deus na mente dos filhos. Somente assim, estarão preparados para resistir ao mal.

É claro que existe a preocupação saudável, que é bem diferente da superproteção. A preocupação exagerada faz com que os pais queiram blindar seus filhos, de modo que não sofram nenhum tipo de decepção ou de agressão. É certo, por exemplo, que a violência tomou conta de nosso país, mas, nem por isso, podemos proibir um adolescente ou jovem de sair com colegas de sua idade. Se tivermos a preocupação saudável, iremos alertá-los do perigo, orar e confiar em Deus.


Em outras palavras, nos preocupamos, porém, não deixamos de proporcionar momentos agradáveis aos nossos filhos, mesmo porque, eles têm muita energia para gastar.

Crianças, adolescentes e jovens gostam de outras pessoas da sua idade para brincar, rir, conversar e divertir. Se criamos nosso filhos mostrando-lhes um mundo sem desafios, riscos e perigos, se temos medo de que eles se machuquem,  estamos impedindo que experimentem coisas novas, o que pode afetar suas habilidades motoras e torná-los um adulto medroso.

Além disso, se fazemos questão que nossos filhos sejam o centro das atenções, no convívio familiar, podemos ter certeza: longe de nós, eles serão birrentos, e não aceitarão ser contrariados, ou seja, podem ser uma criança manhosa.

Outra coisa, se interferimos em todas as decisões de nossos filhos, eles não realizarão as tarefas e nem tomarão uma atitude sem nossa aprovação. Via de consequência, serão inseguros e dependentes. Ademais, se os atendemos em tudo, eles serão impacientes.

Querida amiga, criança medrosa, manhosa, insegura, dependente e impaciente pode se tornar um adulto egoísta, individualista, uma pessoa de difícil relacionamento e pode ter, inclusive, dificuldades para fazer escolhas ou tomar decisões.

O Pastor Josué Gonçalves, em um estudo bíblico, intitulado “Não seja um pai protetor”, menciona o exemplo da águia: quando seu filhote ainda mal consegue voar, ela destrói o ninho com o propósito de impedir que sua cria volte à comodidade.

Então, ela leva seu filhote às alturas e, de lá, o atira no abismo da atmosfera, a fim de despertar nele a poderosa força do "rei das aves".

Depois desse exemplo, vem a pergunta: “E nós, humanos, o que fazemos com nossos filhos? Também os preparamos para serem independentes e atuarem com coragem e determinação pelo mundo afora”?


Ele também menciona alguns motivos pelos quais os pais não devem superproteger seus filhos. É muito importante registrá-los:

1) É na selva que se aprende a lei da sobrevivência. Filhos superprotegidos não aprendem a se defender na vida e tornam-se adultos fracos.

2) A superproteção impede o amadurecimento do caráter do filho. É resolvendo os próprios problemas que o filho aprende a lidar com situações difíceis sem comprometer sua honestidade.

3) Filhos superprotegidos não têm senso de responsabilidade. Quando os pais assumem tudo, os filhos nunca aprendem o que é ser responsável.

4) A soberba do filho pode ser uma conseqüência da superproteção dos pais.

5) Ninguém cresce na sombra. A superproteção dos pais compromete o crescimento do filho em muitas áreas na vida. Sem a dor da disciplina, não há como alcançar posições de destaque na vida.

6) Os pais devem preparar os filhos para enfrentar o mundo como se ele estivesse num campo de batalha. Quem educa o filho pensando que o mundo é um grande parque de diversão, com certeza terá surpresas desagradáveis no futuro.


Vale lembrar que muitos problemas com nossos filhos podem ser resolvidos com o diálogo, com o jogo aberto sobre as dificuldades que enfrentarão no mundo, como também, sobre os banquetes por ele oferecidos. Nunca, porém, mantendo-os em um redoma.

Filhos são bênçãos do Senhor. Hoje, somos adultos e tomamos nossas próprias decisões, erradas ou não. Não somos eternos, ao ponto de querer proteger nossos filhos para o resto da vida. Ao contrário, são eles que cuidam de nós na velhice. Mas, como poderão fazer isso, se não ensinarmos a enfrentar os desafios, a confrontar com limites?

Lembremos do exemplo bíblico de Jacó e sua mãe, Rebeca. A superproteção maternal fez com que ela o levasse a enganar seu próprio pai. Mas, podemos observar que, até então, a Bíblia não mostra um Jacó amadurecido, de bom testemunho cristão. Foi somente quando ele, sozinho, refletiu, somente depois que teve uma experiência com Deus, longe da superproteção da mãe, é que se tornou um verdadeiro servo de Deus.

Pense nisso! Se queremos que nossos filhos sejam equilibrados, felizes e realizados, devemos proporcionar-lhes a liberdade possível, em cada etapa de suas vidas. Tudo na medida certa. Aquela que só o Senhor pode nos ensinar.

 

Missionária Elza Almeida

Mensagem transmitida pela Rádio Paz FM 89,5 no Programa “Espaço Mulher”, todos os sábados das 9h às 10h apresentado pela Pr. Neusa César Carmo e Miss. Elza Almeida. Ouçam e participem!

Pr. Oídes José do Carmo

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