12/08/2013 10:04
Armadilhas no trânsito

Uma boa educação resulta na construção de hábitos duráveis. No concernente ao trânsito isso não é diferente. Parar na faixa de pedestre, não avançar o sinal vermelho, dar preferência nas avenidas arteriais, colocar o cinto de segurança, dar seta ao virar, luz baixa ao cruzar veículos e etc. Mas tudo isso seria impossível se essas ações não tivessem dispostas na forma do hábito, pois ninguém dá conta de estar absolutamente consciente, a todo instante, de cada ato ao volante. Disso tratou o filósofo Aristóteles (384-322 a.C) ao discorrer sobre o hábito: é o movimento de uma parte da alma (psyché) que se ocupa em refazer aquilo que foi apreendido pela simples “repetição”. Ele diz “é fazendo que se aprende a fazer” (Ética a Nicômaco), isto é, cada ação ao ser repetida deixa de ser ação (consciente) e se transforma em hábito (inconsciente).

Ora, não seria possível a um motorista estar a cada instante consciente sobre a cor do sinaleiro, para decidir, pela atenção, se deve prosseguir, ou parar. Para economizar energia e dispensar a mente para outras atividades paralelas, o filósofo citado fala do hábito como sendo uma espécie de “piloto automático” daqueles movimentos rotineiros do dia-a-dia. Mas o que deveria estar a serviço da mente do cidadão terminou se tornando em um “tiro no próprio pé” diante da disposição dos sinais de trânsito (placas, semáforos, luminosos) em muitas cidades brasileiras. O “piloto automático” do veículo é acionado indevidamente por vários movimentos.

Primeiro, o excesso de sinal expostos aos olhos dos motoristas em muitos cruzamentos é uma verdadeira emboscada. O cidadão pára em função de um semáforo no vermelho, mas diante de si, ao alcance da vista, está um outro, que após minutos se abre (muitos cruzamentos expõe até três semáforos à vista do condutor). Por força do hábito muitos acabam avançando com o sinal no vermelho simplesmente por força do movimento induzido inconscientemente. Aí soçobram multas, buzinadas, palavrões e etc. Alegar na SMT que furou a sinalização em função da educação que recebeu de prosseguir ao se deparar com o “ecológico verde” diante de si é considerada uma desculpa das mais absurdas. E isso termina sendo uma cilada contra o “piloto automático” da educação do cidadão, que além de ser chamado de filho de uma “boa mãe” recebe também uma multa e alguns pontos na carteira de habilitação.

Em segundo estão as lombadas eletrônicas. Por não terem a velocidade uniformizada (40 km/h na BR 153, 50 km/h na rua perpendicular), terminam gerando desagrados e surpresas à educação do motorista. Por força do hábito muitos se concentram em uma determinada velocidade mínima, como os 50 km na maioria dos redutores de movimento, mas da mesma maneira caem na malha financeira da indústria da multa quando, por hábito, passam a 50 km/h onde deveria estar a 40 km/h. Por mais desimportante que seja a questão ela causa stress, chatice, freadas bruscas e outros dissabores.

Veja, é o hábito que leva alguém a trancar a porta de casa ao sair, mesmo que não esteja concentrado isso. É o hábito que induz o efeito “Maria vai com as outras” quando um, entre outros, avança o sinal vermelho influenciando os demais, ao lado, a moverem-se mecanicamente, acreditando que tudo está normal, e que o semáforo se abriu.

Mesmo que não seja recomendável acreditar na boa educação, de maneira absoluta, quando trafega pelas grandes cidades brasileiras, especialmente Goiânia, algo deve ser feito para garantir que os bons hábitos estejam a serviço do cidadão, e não contra ele. Nunca é tarde aprender com o filósofo grego: “somente uma boa educação produz hábitos. Estes orientam os homens a refazerem com facilidade e descanso da alma aquilo que fazem constantemente”.


Wagno Oliveira de Souza.

Mestre em Filosofia Política pela UFG, professor de filosofia na PUC-Goiás e UNIP, e Pastor na Assembleia de Deus do Jardim Presidente – Campo de Campinas.

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