06/08/2013 10:44
A violência no dia a dia - Wagno Oliveira de Souza

A violência não se reduz a atos contra a integridade física ou financeira das pessoas, ela também se dá de modo velado e imperceptível, subliminar, chegando a intentar contra pensamentos, opiniões, valores, crenças, etc. É o tipo de violência simbólica que inúmeras vezes não é notada diretamente, mas que carrega em sua bolsa os mesmos disparates sociais e coletivos da desavença e da petulância que tanto permeia e empobrece o ser humano.

Um exemplo: está no ar um comercial de automóvel que ao anunciar um determinado modelo de veículo, mostra uma pessoa ateando fogo em seu veículo simplesmente porque o mesmo é de modelo e marca supostamente inferiores àquele oferecido no comercial. A versão dessa mesma propaganda em um site na internet dispõe um vídeo onde há a seguinte provocação: clique abaixo e veja o carro explodir.

Em primeiro lugar, será que é permitido atear fogo em veículo em uma autoestrada? Claro que não. Isso coloca a vida de terceiros em risco. Mas alguém pode obstar alegando que se trata apenas de um comercial, e que nada há de real na questão. O problema é que diferentemente de um filme, um comercial sugestiona, incita, provoca. Ele não é feito para colocar apenas as coisas de um modo distante da realidade: ele é posto na forma do imperativo “compre”, “decida”, “deseja”, etc.

Ora, a imagem de um veículo em boas condições sendo explodido, como mostra o comercial, é um atentado simbólico àquele cidadão que somente tem condições de adquirir um automóvel da mesma marca e modelo daquele no qual se está ateando fogo. Isso é uma violência exercida não somente a um bem móvel, mas a toda uma expectativa suscitada num país onde o carro é uma das representações sociais de nível econômico.

Mas não para aí: muitos são os comerciais onde expressões do tipo “vamos acabar com a concorrência” são rotineiras. Isso tudo seguido de imagens de preços explodindo ao som de bombas, letras se quebrando, cenários sendo destruídos e tudo mais. Mesmo que seja uma expressão antiga como “queima de estoque”, com o simulacro da tecnologia um refrão tão antigo agora toma forma, som estéreo, fazendo com que o anúncio de um simples produto produza o mesmo “espetáculo” de imagem e som do onze de setembro.

Ora, a instigação diária e constante da violência fragiliza o medo e o pavor, dessensibilizando a capacidade humana de repudiar o terrível. Isso diminui no sujeito singular a possibilidade de indignar-se frente à violência. Então tanto faz se o que está diante de si é um muro recém-pintado ou não, o pichador desfigura; tanto faz se é pai de família, trabalhador honesto ou não, se torce pelo outro time, então violência nele; tanto faz...

 


Wagno Oliveira de Souza.

Mestre em Filosofia Política pela UFG, professor de filosofia na PUC-Goiás e UNIP, e Pastor na Assembleia de Deus do Jardim Presidente – Campo de Campinas.

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